Limpeza ainda é o melhor jeito de evitar o mosquito da dengue, zika e outras doenças

Limpeza ainda é o melhor jeito de evitar o mosquito da dengue, zika e outras doenças

Soluções tecnológicas contra o Aedes aegypti estão longe de se tornar realidade, afirmam especialistas. A proteção contra a dengue, chikungunya e zika continua nas mãos de todos





Mesmo com o aumento do perigo do mosquito Aedes aegypti após o Ministério da Saúde (MS) ter comprovado associação do zika vírus (veja quadro) – transmitido pelo inseto – a casos de microcefalia em recém-nascidos e das já temidas dengue e febre chikungunya, a erradicação do mosquito ainda não tem prazo para se tornar uma realidade. Pelo menos é o que avalia a Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, caso não haja uma mudança efetiva de hábitos da população no sentido de eliminar criadouros do Aedes. Isso porque, além de os centros urbanos terem se desenvolvido como ambientes favoráveis à proliferação, tecnologias possíveis de serem usadas no combate definitivo estão ainda em fase de testes ou análise de viabilidade. O cenário reforça ainda mais a necessidade de ação coletiva da população, diante da constatação de 86% dos focos de dengue da capital terem sido encontrados nos domicílios, segundo o último Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa).

“Existem tecnologias promissoras. Mas, com o que está hoje disponível, ainda não é possível erradicar (o mosquito) nos países tropicais ”, afirma o secretário municipal de Saúde, Fabiano Pimenta, lembrando que o MS estuda o custo-benefício de uma vacina que apresenta 60% de proteção contra dengue. “O desenvolvimento do produto é recente, de 2014, e o uso da vacina enquanto instrumento de saúde pública só deve ocorrer no prazo de três a quatro anos, se tudo correr bem”. Por outro lado, há ainda pesquisas sobre a bactéria Wolbachia, que já coloniza outros mosquitos e impacta na competitividade biológica e viabilidade do Aedes, além de alterações genéticas em laboratório para que a fêmea, fecundada pelo mosquito transgênico, coloque ovos que vão resultar em mosquitos inviáveis do ponto de vista da transmissão de doenças.
História O mosquito chegou a ser erradicado entre 1904 e 1907 pelo pesquisador Osvaldo Cruz, no Rio de Janeiro, na ocasião como vetor da febre amarela. Mais tarde, ele voltou ao território nacional e foi oficialmente erradicado em 1958, também em função da febre amarela. Apenas Brasil e Bolívia conseguiram tal feito. Em 1986, o país registrou a volta do mosquito, agora com o surgimento da dengue tipo I no Rio de Janeiro.

Caça aos criadouros
para evitar contágio

Um dos sinais de alerta para o perigo do Aedes aegypti está nos últimos balanços apresentados pelas secretarias municipal e estadual de Saúde. Em Minas, o número de casos de microcefalia em investigação por associação ao zika vírus passou de 11 para 29 em pouco mais de uma semana. Um deles foi descartado por testes. Em BH, foram notificados 10 casos suspeitos. Na capital, os números da dengue também assustam: foram confirmados 15.531 casos – cinco vezes mais que o ano passado – e 1.609 suspeitos estão ainda em investigação. Por meio de nota, a Prefeitura de Belo Horizonte afirma manter trabalho permanente de caça a criadouros e conscientização da população.

Ainda assim, é comum ver focos do mosquito em lotes vagos e vias públicas. Ontem, três pneus foram encontrados acumulando água em um passeio da Avenida Antônio Carlos, no Bairro Aparecida. De acordo com o comerciante Fernando Warley de Almeida, de 34 anos, que tem uma sorveteria próximo ao local, é comum ver lixo em lotes vagos no bairro. “Depois das obras de alargamento da avenida, sobrou muitos pedaços de lote, onde moradores de rua e usuários de droga costumam jogar lixo”, disse. Ele lembrou ainda que, apesar de fazer o combate ao mosquito em sua tresidência, teme ser infectado pelo Aedes, já que o perigo está do lado de casa. Por meio de nota, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) também alerta para as medidas de combate: eliminar qualquer foco de água parada no qual o vetor possa se reproduzir, manter casas e locais de trabalho sempre limpos e longe de qualquer possibilidade de acúmulo de água.

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